Em meio à pandemia do Coronavírus – SUS e Planos de saúde – ainda não acertaram regras para distribuir leitos

ANS libera 15 bilhões de fundo emergencial para Operadoras. Atendimento de
inadimplentes está condicionado a renegociação dos contratos. “É um cheque
em branco", critica pesquisador.
Prestes a alcançar o pico de contágio por Coronavírus, previsto pelo
Ministério da Saúde para as semanas entre abril e maio, o Brasil ainda não
tem uma coordenação entre SUS e rede privada para ampliar a capacidade de
assistência e o número de leitos hospitalares, principalmente de
UTIs (Unidades de Terapia Intensiva).
O país, que já registra 941 óbitos por Covid-19 e 17.857 casos, pode chegar
ao colapso de ambos os sistemas de saúde ainda este mês. Uma nota técnica
da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e do Ipea (Instituto de
Pesquisa Econômica Aplicada) mostrou que, se 0,1% dos brasileiros estiverem
contaminados, até o fim de abril, já haverá falta de leitos.
E esse é o cenário otimista. Na projeção mais pessimista, com 1% da
população infectada até o final do mês, 53% das microrregiões (agrupamentos
de municípios) colapsariam. Ao mesmo tempo, os Planos de saúde enfrentam
uma “incerteza” com o aumento exponencial de seus gastos e confirmam, nas
entrelinhas, que isso pode ser repassado para o bolso do consumidor.
“Os custos incorridos em um exercício servem de parâmetro para definir os
valores das mensalidades no exercício seguinte. Logo, as variações de
volumes de utilização e custos dos procedimentos médicos durante a
pandemia serão consideradas nos cálculos vindouros”, explica Vera Valente,
diretora-executiva da FenaSaúde (Federação Nacional de Saúde
Suplementar), que reúne empresas do setor. Ela ressalta, no entanto, que
ainda não é possível estimar a magnitude desses gastos e de seu impacto no
valor dos Planos. Anualmente, as Operadoras, que atendem cerca de 47
milhões de pessoas, vêm seguindo autorizadas a aumentar as mensalidades
acima da inflação.
“É evidente a necessidade de ampliar o investimento na instalação de novos
leitos clínicos e de UTI, em aquisição de novos equipamentos, bem como em
assistência ambulatorial. Por outro lado, é preciso garantir esses recursos
financeiros, necessários para o adequado atendimento. O aumento de
demanda por serviços médicos em decorrência da disseminação do novo
Coronavírus fez crescer também as despesas relacionadas, o que exige um
reforço de caixa às Operadoras”, informa, em nota, a Abramge (Associação
Brasileira de Planos de Saúde).
Acesse https://brasil.elpais.com e saiba mais. Por Joana Oliveira / SP /
10.04.2020