A pandemia de Coronavírus tem tudo para atingir o auge no exato período em
que sofrerão reajustes os remédios (até 31 de março) e os Planos de
saúde (previsto para ser divulgado em 30 de abril). Mas, diante de um quadro
que projeta a paralisia da economia – que tem levado o governo a tomar
medidas emergenciais –, tais aumentos serão repassados para o consumidor
em tempos de dinheiro curto?
O advogado e especialista, em Planos de saúde, Cláudio Sampaio, acredita
que não e que os dois setores se unirão ao sacrifício que será imposto a toda
sociedade. “Seria imprudente. A economia está desaquecida, e estamos em
estado de emergência”, ressalta, acrescentando que, por causa da alta anual,
as Operadoras de saúde vêm perdendo clientes e amargando prejuízos. “A
cada aumento, muitas pessoas deixam de ter Plano de saúde”.
A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) esclarece, em nota, que a
metodologia de cálculo estabelecida só levará em consideração os dados das
despesas assistenciais, ocorridas nos anos de 2019 e 2018. “A cobertura do
exame para detecção de Coronavírus não impactará no próximo reajuste dos
planos individuais ou familiares, uma vez que se trata de exames realizados em
2020. Os impactos desses exames serão captados quando o cálculo do
reajuste a ser divulgado em 2021”, informou.
Também advogado especializado em Planos de saúde, Marco Aurélio
Martins explica que o Coronavírus pode interferir no reajuste das operadoras.
“Se, por causa do Coronavírus, as pessoas usarem muito os Planos de saúde
neste ano, é provável que as Operadoras queiram reajustar a mensalidade
acentuadamente para 2021 devido ao uso intenso do serviço”, salientou.
Já no setor de remédios, o Sindicato da Indústria de Produtos
Farmacêuticos (Sindusfarma) assegurou que os reajustes nem sempre se
dão na prática, uma vez que, historicamente, o aumento médio dos remédios
tem ficado abaixo da inflação geral e da subida autorizada pelo governo. Ainda
segundo a entidade, o reajuste –– que atualiza a tabela de Preços Máximos ao
Consumidor (PMC) –– não acarreta aumentos automáticos, nem imediatos nas
farmácias e drogarias. O presidente executivo do Sindusfarma, Nelson
Mussolini, destaca a alta carga tributária dos medicamentos, nos quais quase
32% do valor pago pelo consumidor são tributos.
Mas a afirmação do Sindusfarma é contestada. Marco Aurélio Martins estima
fortes reajustes por conta da pandemia. “Não é esse vírus em especial que
subirá os medicamentos, e sim a alta procura que pode gerar daqui pra frente.
Isso ocorre com qualquer doença grave que se espalha”, frisou.
Fonte: https://www.correiobraziliense.com.br/ Estagiários sob a supervisão de
Fabio Grecchi